Designação/Título: Viriato


Autoria: Mariano Benlliure (1862-1947)


Datas Relevantes: 1914-01-26 (José Coelho, arqueólogo e vereador da Câmara Municipal de Viseu, apresenta uma proposta oficial no sentido de se construir um monumento de homenagem a Viriato) ; 1929-09-22 (foi instituído o primeiro dia de entrada paga na Feira de São Mateus, como forma de angariar verbas para a construção do dito monumento) ; 1936 (foi exposto na Feira de São Mateus um protótipo de uma estátua, da autoria de Manuel de Oliveira) ; 1940-09-16 (inauguração da obra, no âmbito das Comemorações do Duplo Centenário da Fundação e da Restauração da Nacionalidade)


Materiais: bronze  (estátuas) ; granito (pedestal)


Dimensões:


Promotor: Câmara Municipal de Viseu (com o apoio do Estado)


Localização: Campo de Viriato, junto aos taludes da fortaleza octogonal apelidada de Cava de Viriato (Viseu – Portugal)


Coordenadas GPS: 40.665294° ; -7.911833°

Descrição

Pela sua monumentalidade, qualidade artística e ligação simbólica à cidade de Viseu, esta obra artística (que, mais do que uma estátua, se consubstancia num verdadeiro conjunto escultórico) granjeou um lugar cimeiro na lista dos ex-libris viseenses.

A obra é formado por um pedestal e por um conjunto de seis figuras humanas, representando Viriato e alguns dos seus bravos soldados lusitanos.

O pedestal é constituído por um bloco de granito, de formato toscamente cilíndrico e cariz vertical. À frente exibe umas letras de metal anunciando «VIRIATO», logo abaixo acompanhadas pela representação de dois ramos (um de carvalho e outro de oliveira). O pedestal encontra-se rodeado por múltiplos blocos de pedra, posicionados de forma aparentemente aleatória, simulando assim o terreno montanhoso onde os guerreiros lusitanos viveram e lutaram. O bloco de pedra que surge mais próximo da frente do pedestal tem anexado uma placa quadrangular de bronze contendo as armas nacionais e a seguinte informação: «MOCIDADE PORTUGUESA / II ENCONTRO 1958 / PRESENTE».

A figura principal deste monumento surge no topo do pedestal, respeitando a formulação convencional do herói-guerreiro. Corpo atlético e com musculatura bem definida, rosto barbado e expressão impenetrável (sem que haja qualquer indício de medo ou dúvida perante a presença do inimigo). Além disso, as armas são apresentadas em posição de ataque (falamos da falcata e de um escudo circular), e a perna esquerda do herói mostra-se avançada (em pose de desafio). A sua roupa denota grande sobriedade e humildade, distinguindo-se dos restantes soldados apenas pela presença do manto que lhe cobre as costas. Por fim, há que registar o seu olhar fixamente apontado para a frente, como se estivesse a observar o casaria antigo que se estende pela colina histórica da cidade.

Em relação às restantes figuras esculpidas (igualmente trabalhadas em bronze e delineadas em vulto perfeito), surgem numa posição secundária, mais ou menos escondidas atrás do pedestal. Todas partilham trajes semelhantes (vestido curto), mantêm os pés descalços e apresentam-se armadas. Espadas, navalhas e paus compridos, juntamente com elmos e escudos redondos… constituem o arsenal dos lusitanos.

Na parte posterior do monumento desenvolve-se um muro de pedra, ostentanto no seu friso superior uma inscrição em letras capitais: «NO ANO DE 1940 O POVO DESTA TERRA COMEMORA OS FEITOS DE VIRIATO / AQUI MERGULHAM AS RAIZES DESTA RAÇA VIVA E FORTE – IMORTAL NA SUA ESSÊNCIA».

Arquivo Gráfico

Vídeo

Documentos

  • FERNANDES, Luís da Silva – A Feira de S. Mateus em 1940: entre o Duplo Centenário e o Monumento a Viriato. In Feira em Revista, nº 14, 2014.
  • FERNANDES, Luís da Silva – Viseu, terra de mitos e imaginários. In Revista Municipal, abril-junho, 2015.

Outras referências

ID da Entrada

Ruben Marques (2019-09-15)